quarta-feira, 13 de abril de 2011

Navegando pela psique humana

Nada mais pertinente do que iniciar este artigo falando sobre os aspectos do nosso psiquismo. Então, lhe convido: a compartilhar desta bela e emocionante viagem...

“Navegar pelas profundezas da psique humana, talvez seja uma das mais árduas tarefas que a ciência já designou para o homem, todavia encontra-se no rol das mais gratificantes viagens que o indivíduo já pode realizar” (Maviael Filipe Lopes).

Recentemente fui convidado a elaborar uma frase que representasse o fechamento de um ciclo, no qual envolvia os estudos sobre o homem, sobretudo os que abarcavam as abordagens da psique humana. Certamente várias idéias vaguearam na minha mente, e difícil foi encontrar qual seria a representação mais autêntica que poderia eleger.

Primariamente, julguei pertinente nomear simbolicamente estes estudos como um processo de navegação. Sou adepto dogmático do uso do simbolismo nas relações humanas, seja atuando profissionalmente como psicólogo, no dia a dia como cidadão ou até mesmo como escritor. O mundo simbólico permeia nossas relações desde o ventre materno, pois até mesmo antes do nascimento, nossos pais já, antecipadamente, elaboram simbolicamente nossas características, por mais que estas fiquem, em grande parte, a nível de idealização (aquilo que é pretendido, que é idealizado e que pode frequentemente diferir do real). “Meu filho será torcedor do time x, será um grande advogado, médico, engenheiro, etc.” ou “Minha filha será promissora financeiramente, adotará determinada fé religiosa...” Nestas ocasiões fico me perguntando: onde mora a liberdade de escolha destes pequenos indivíduos, que mal sabem em que mundo está adentrando e já é presenteado com diversas expectativas sociais? Promover a autonomia destas pessoas, sem dúvida, seria o caminho mais construtivo no processo educacional. Segundo CAMPOS 2006 “Não tomamos autonomia como o contrário de dependência, ou como liberdade absoluta. Ao contrário, entendemos autonomia como a capacidade do sujeito de lidar com sua rede de dependências”. Certamente, caberá aos pais e cuidadores, doutriná-lo em princípios morais, valores e até crença religiosa, o que certamente influenciará em suas decisões de vida e norteará em muitos caminhos, mas não caberá a estas pessoas a responsabilidade por todos os atos e passos que este sujeito dará.

Uma navegação para ser bem sucedida envolve muitos aspectos que devem ser considerados, tais como: conhecer tecnicamente sobre o manuseio do navio, saber geograficamente dos posicionamentos e caminhos marítimos, estar familiarizado com as constantes mudanças que o mar possa promover (agitação, calmaria, mar alto e baixo, icebergs, quando posicionados em continentes gelados etc.), como tantas outras dimensões que completam este percurso. Caro leitor, ao descrever este processo de navegação, você encontra alguma semelhança com o seu funcionamento psíquico? Será que nossa vida mental também não está pré-disposta a tais acontecimentos? Certamente, temos muitas coisas em comum, no que se trata da forma como operamos, o que me atrevo a chamar de aspectos previsíveis da espécie humana, entretanto esta previsibilidade não nos assegura saber se nossa navegação será bem sucedida ou não.

Nas escritas de Sigmund Freud na formulação da Psicanálise, sabemos que sua principal distinção nos estudos sobre o homem foi à existência do inconsciente no aparelho psíquico, conforme ele afirma em seu texto: A Consciência e o que é Inconsciente: “A divisão do psíquico em o que é consciente e o que é inconsciente constitui a premissa fundamental da psicanálise (...)” (FREUD, 1996, p. 27). Na continuidade destes estudos, no texto: O Ego e o Id, Freud descreve um pouco o que é consciente: “(...) a consciência é a superfície do aparelho mental (...)” (FREUD, 1996, p. 33). Esta superfície, espacialmente, é a primeira a ser atingida pelo mundo externo, provocando, diretamente, alterações na outra superfície psíquica, que chamamos de inconsciente, que por sua vez realiza outras mudanças e provoca determinações para a vida do sujeito. Na analogia acima descrita, considero a instância consciente, os aspectos visualizados acima da superfície do mar, que evidentemente, se alteram com as interferências do mundo externo (chuvas, tempestades, sol, etc.), e inconsciente tudo que se encontra submerso a esta superfície, estando em contato com a parte de cima, mas guardando aspectos, que só aquele que se dispor a analisá-los, acessará para um melhor funcionamento psíquico.

Esta é uma das principais atribuições do profissional da psicologia e psicanálise, realizar a análise, compreensão dos aspectos que permeiam o ciclo vital do indivíduo, sobretudo sua vida mental. Considero que a embarcação nestes estudos é um caminho sem volta, que aquele que se propor a adentrar por esta porta, não achará a chave para retornar, caso tenha interesse. A ciência Psicologia nos oferece uma lente que nos permite visualizar o mundo de forma diferente, consideravelmente mais abrangente, possibilitando a formação de pessoas mais humanas e convictas da existência de potencialidade em cada ser humano.

Contribuir para que o outro organize suas dimensões e necessidades psíquicas, ajudar para ser ajudado e crescer junto a estes aprendizados. Este artigo tem como principal objetivo: torná-lo consciente de que nosso percurso pela vida pauta-se de muitas turbulências, tempestades, calmaria, agitação, dias lindos e ensolarados, sombrios, tristes e alegres, entretanto temos a responsabilidade de torná-la bem vivida e ao final poderemos dizer: “Combati o bom combate”...

É desta viagem que me refiro: ter o privilégio de viver para ajudar as pessoas a serem mais felizes e consequentemente torna-se uma pessoa feliz diariamente...


Bibliografias Consultadas:
CAMPOS, G. W. S. et al. Co-construção de autonomia: o sujeito em questão. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2006.
FREUD, S. (1923) O Ego e o Id. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1996.



Fonte: Maviel Filipe Lopes. Profissional de psicologia cadastrada no Help Saúde.


Temas relacionados: Psicologia, Psicoterapia


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2 comentários:

  1. Gostou do artigo? Entre no meu blog e confira mais sobre o tema: Psicologia...

    http://maviaelfilipelopes.blogspot.com/

    Abraços
    Maviael Filipe Lopes

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  2. Boa noite, venho pedir na verdade uma ajuda a vcs amigos da area de saude, tenho um grave problema em anbus os joelhos e tendão, já passei por uma triagem no hospital santa isabem salvador.....
    onde minha situação esta se gravando e ñ consigo passar pelo cirugião DR EDUARDO DE ALENCAR, PARA AVALIÇAO CIRUGICA MIM AJUDEM PORFAVOR MEU HOTMAIL É ( maria-santossilva@hotmail.com.

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