quinta-feira, 7 de abril de 2011

Superbactérias: resistência aos medicamentos é o tema do Dia Mundial da Saúde

Nos dias de hoje, muitas pessoas vivem mais e melhor, em parte, porque remédios poderosos e eficazes – os antimicrobianos – estão disponíveis para tratar doenças infecciosas. Até a descoberta dos agentes antimicrobianos na década de 40, muitas pessoas morreram desnecessariamente. Hoje, nenhum de nós pode imaginar viver em um mundo sem antibióticos.

Mas agora o mundo vive um momento em que pode perder esses preciosos medicamentos. O uso e o abuso de antibióticos nos últimos 70 anos aumentaram o número e os tipos de micro-organismos resistentes a esses medicamentos, causando mortes, sofrimento e aumento dos custos da saúde.

Se esse fenômeno continuar sem controle, muitas doenças infecciosas se tornarão incontroláveis. Muitos países estão tomando medidas em relação a isso, mas esforços mais urgentes e consolidados são necessários para evitar a regressão à época em que os antibióticos não existiam.

Por isso, este ano a Organização Mundial da Saúde comemorará o 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, com a campanha “Combate à Resistência aos Medicamentos: sem ação hoje, sem cura amanhã”. A OMS lança um apelo a todos os países para que se evite a propagação da resistência aos medicamentos através de políticas públicas.

Saiba tudo sobre a Resistência aos Medicamentos, também chamada de Resistência Antimicrobiana.

O que é resistência antimicrobiana?

A resistência antimicrobiana – também conhecida como resistência a medicamentos – ocorre quando micro-organismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas mudam sua estrutura e fazem com que os medicamentos usados para combatê-los se tornem ineficazes, perdendo seu poder de lutar contra esse micro-organismo.

Quando os micro-organismos se tornam resistentes à maioria dos antimicrobianos, eles são chamados de “superbactérias”. Como resultado, vários tratamentos se tornam ineficazes, a infecção persiste e pode contaminar outras pessoas. Essa é uma grande preocupação porque uma infecção resistente pode matar, contaminar outras pessoas e impõe custos enormes para os indivíduos e para a sociedade.

A resistência antimicrobiana é facilitada pelo uso inadequado de medicamentos, por exemplo, ao tomar doses erradas ou não terminar todo um tratamento prescrito. Medicamentos de baixa qualidade, prescrições erradas e falta de políticas de prevenção de infecções podem aumentar e espalhar a resistência aos medicamentos. A falta de desempenho do governo para tratar dessas questões, a fiscalização deficiente e a carência de um arsenal de ferramentas capazes de diagnosticar, tratar e prevenir também dificultam o controle da resistência aos medicamentos.

Resistência a medicamentos é um problema mundial

Nos últimos anos, o uso e o abuso de antimicrobianos aumentaram o número dos tipos de organismos resistentes. Consequentemente, muitas doenças infecciosas podem, um dia, se tornar incontroláveis. Com o crescimento do comércio mundial e a globalização, os micro-organismos resistentes podem se espalhar rapidamente para qualquer parte do mundo.

O que causa a resistência a medicamentos?

A resistência aos medicamentos é um fenômeno natural. Quando micro-organismos estão expostos a um antimicrobiano, os organismos mais suscetíveis morrem, deixando para trás aqueles resistentes ao antimicrobiano. E aqueles micro-organismos que desses nascerem terão a chance de possuir a mesma característica de resistência.

O uso inadequado de medicamentos leva à resistência às drogas

O uso inadequado de antimicrobianos impulsiona o desenvolvimento de resistência às drogas. O uso excessivo, assim como a falta de uso necessário dos medicamentos, pode contribuir para o problema. Garantir que os pacientes sejam informados sobre a necessidade de tomar a dose correta do antimicrobiano exige a intervenção de médicos, farmacêuticos e distribuidores, da indústria farmacêutica e do próprio governo.

Assim como o uso inadequado, a falta de qualidade de medicamentos pode expor os pacientes a antimicrobianos não tão eficazes, criando assim as condições para o desenvolvimento da resistência. Nos países pobres, onde o acesso aos antimicrobianos é mais difícil, os pacientes são forçados a não completar o tratamento ou procurar alternativas.

A pecuária e a resistência a medicamentos

Doses pequenas de antibióticos são utilizadas na criação de animais para promover o crescimento e prevenir doenças. Isso pode resultar em micro-organismos resistentes que podem se espalhar entre os humanos.

Falta de prevenção e controle de doenças aumenta a resistência a medicamentos

Os pacientes hospitalizados são um dos principais reservatórios de micro-organismos resistentes, podendo atuar como uma fonte de contaminação de outras pessoas. Por isso, o melhor mesmo é a prevenção.

E, para colaborar com a prevenção, recolher e reportar dados sobre a resistência de medicamentos é algo importante a ser feito. Alguns países não dispõem de instalações laboratoriais capazes de identificar com precisão os micro-organismos resistentes. Isso prejudica a capacidade de detectar a emergência e tomar medidas imediatas.

Novas ferramentas para combater a resistência estão se esgotando

Os antimicrobianos existentes estão gradativamente perdendo seu efeito. Ao mesmo tempo, há um declínio no desenvolvimento de novos antimicrobianos. Há pesquisas insuficientes para novos diagnósticos de detecção de micro-organismos resistentes, assim como vacinas para prevenção e controle de infecções. Se continuar assim, as ferramentas para se combater os micro-organismos resistentes logo estarão esgotadas e ultrapassadas.

Fonte: id Med


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