segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Por que é tão difícil emagrecer e permanecer magro?

Talvez porque você, assim como a maioria das pessoas, pense que para isso basta escolher uma dieta e começar. No principio você está motivado e consegue seguir a dieta e mudar um pouco os seus hábitos alimentares, só que o que parece fácil no início dentro de algumas semanas se torna uma tortura e você desanima. No começo você acha que comer menos, resistir ao chocolate ou ao choppinho vai ser fácil, pois a vontade de emagrecer é maior, mas com o tempo começa a ficar difícil deixar de comer os seus alimentos preferidos, abrir mão de uma rodada de chopp com os amigos fica quase impossível e manter a dieta fica cada vez mais difícil…

É aí que eles aparecem! Quem?

Os pensamentos sabotadores!!! “Vou comer só um pouquinho e depois volto pra dieta” ou “só um copinho de chopp, afinal fiz a dieta a semana toda”… e quando você se dá conta já ganhou de volta o peso que havia perdido no início e aí vem a frustração, a decepção consigo mesmo, a raiva e o desânimo.

Como modificar essa situação? O que é possível fazer?

Um novo campo para a Terapia Cognitiva

Estudos recentes têm comprovado que a maioria das pessoas que emagrece a base de dieta começa a recuperar o peso perdido dentro de um ano. Além da questão estética, fundamental para muitas pessoas, o sobrepeso e a obesidade são responsáveis por um aumento no risco de doenças cardiovasculares, diabetes, síndrome metabólica e até câncer ginecológico.

Os tratamentos médicos para perda de peso apresentam enormes desvantagens se considerarmos que os medicamentos podem ter eficacia a curto prazo mas geram efeitos colaterais indesejáveis e quem já fez uso deles sabe que os efeitos são efêmeros pois a tendencia é a recuperação do peso após a interrupção da medicação. A cirurgia bariátrica só é indicada em casos de obesidade mórbida (IMC acima de 40) e como qualquer outro procedimento cirúrgico oferece sérios riscos.

Então, qual o caminho? Que alternativas se apresentam?

Observando-se que essa tendencia ao sobrepeso e a obesidade vem se agravando nos últimos anos em decorrência dos hábitos alimentares do “fast food”, estudos e pesquisas começaram a ser desenvolvidos na busca de alternativas para essa questão. Entre os estudos recentes se destaca o da pesquisadora Judith Beck – Professora de Psicologia Clínica da Universidade de Psiquiatria da Pensilvania, nos Estados Unidos e membro do Instituto Aaron Beck de Terapia Cognitiva e Pesquisa – que desenvolveu um programa auxiliar para emagrecimento baseado em técnicas da Terapia Cognitiva, para ajudar as pessoas a aprender a pensar de uma forma diferente, para que possam modificar seu comportamento alimentar, não apenas por um curto período de tempo, mas para o resto de suas vidas.

Pesquisas da Terapia Cognitiva já haviam demonstrado que as pessoas podem aprender a modificar seu comportamento e manter essas mudanças, desde que mudem também seus pensamentos, senão, mais cedo ou mais tarde voltarão ao seu padrão de comportamento antigo. Isso é exatamente o que acontece com as dietas. Se você não mudar seus pensamentos você não conseguirá manter seus novos hábitos alimentares.

A Dra. Judith Beck desenvolveu o programa com esse foco: mudar o comportamento e o pensamento.

Quem faz dieta sabe exatamente o que precisa fazer: comer de forma nutritiva, emagrecer devagar, dar prioridade a dieta, resistir as situações sabotadoras, fazer exercícios, não comer emocionalmente e manter a motivação. A questão é justamente COMO FAZER ISSO, como se envolver de forma consistente para cumprir essas tarefas.

O que é a Terapia Cognitiva e como ela pode ajudar?

A Terapia Cognitiva foi desenvolvida no final dos anos 50 e início dos anos 60 por Aaron Beck – Professor Emérito da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvania e Presidente do Instituto Beck para Pesquisa – ( pai da Dra Judith Beck) para o tratamento da Depressão. Ele percebeu que os pacientes melhoravam e os sintomas regrediam mais rapidamente quando eles conseguiam alcançar metas, solucionar problemas e modificar seus pensamentos depressivos.
Nos anos seguintes essa terapia foi adaptada por ele e por outros pesquisadores do mundo inteiro para ser utilizada no tratamento de varias outras dificuldades e transtornos psicológicos, sendo hoje considerada a mais indicada nos tratamentos de vários transtornos, principalmente os ansiosos, como fobias, pánico, transtorno obsessivo compulsivo, transtornos alimentares, entre outros.
Os resultados obtidos, já testados em pesquisas, revelam que as pessoas aprendem como mudar seus pensamentos imprecisos e disfuncionais para se sentir melhor emocionalmente e para adotar comportamentos mais produtivos na conquista de suas metas.
Embora a técnica seja específica para cada problema ou patologia o foco é ensinar as pessoas a mudarem seus pensamentos e suas crenças autoderrotistas e disfuncionais. Por exemplo: pacientes deprimidos têm pensamentos negativos sobre si mesmos, sobre seu mundo e seu futuro e isso os torna infelizes e interfere no seu desempenho do dia a dia. Pacientes ansiosos superestimam o perigo em situações que realisticamente não apresentam perigo e por isso se sentem ansiosos e irritáveis a maior parte do tempo.

A Dra. Beck utilizou a técnica dirigida para a questão alimentar, identificando as principais distorções cognitivas (pensamentos errôneos) que impedem as pessoas que fazem dieta de manter o peso desejado, assim como os pensamentos sabotadores do tipo racionalização ( “não há mal em comer isso porque…”), pensamentos ilusórios (“ já que exagerei um pouco vou comer tudo que quiser o resto do dia”), regras arbitrárias (“não posso desperdiçar comida), leitura da mente (“minha amiga pensará que sou mal educada se não comer o bolo que ela fez”), exagero (“não suporto sentir fome”).

O objetivo do programa da Dra. Beck consiste em ensinar a corrigir essas distorções e resolver problemas relacionados com a dieta, além de motivar as pessoas para adotar comportamentos alimentares saudáveis e funcionais que possam ser mantidos ao longo da vida, impedindo o já conhecido e indesejado “efeito sanfona”.

Fonte: Nanci Rodrigues Pacheco. CRP:RJ0900

Psicóloga cadastrada no Help Saúde.

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