terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Dia do Médico na visão da Dra. Cristiana Bardy

Convidamos a Dra. Cristiana Bardy, Psiquiatra CRM: RJ 670626 cadastrada no HelpSaúde a fazer um artigo em homenagem ao Dia Mundial do Médico:

Apenas após ter aceitado o convite da Editoria do HelpSaúde para escrever sobre o Dia do Médico, percebi a delicadeza do compromisso assumido.

Afinal, não é possível, nem seria verdadeiro, simplesmente exaltar as alegrias de ser médico ou as contribuições que damos diariamente para a qualidade de vida da população.

Neste momento, estão em discussão aspectos muito sérios da nossa prática, seja da liberdade e autonomia do exercício da profissão, confirmadas na prescrição (medida da ANVISA que proíbe a prescrição e comercialização de anfetaminas e seus derivados), o ATO MÉDICO em si (a quem pertence tal ou qual procedimento) ou na noção popular de QUANTO VALE O MÉDICO (o valor da remuneração por consultas através dos planos de saúde e os salários e condições de trabalho nos hospitais públicos).

Assisto triste, diariamente a desvalorização da minha profissão. Lenta e gradualmente, esta já vem ocorrendo, no mínimo, desde o início da década de 60 do século passado.

Aos poucos, os planos de saúde e os grandes laboratórios, por questões de mercado, afinal vendem produtos, foram aumentando sua participação nos consultórios e hospitais e se interpondo entre nós e os nossos pacientes. Influenciando as decisões públicas.

O médico, eu suponho, continuou com sua cara enfiada nos livros e ateve-se a aprimorar suas habilidades, certo de que este é o seu dever, sem identificar o distanciamento que se estabelecia.

Hoje em dia, mesmo que imprescindíveis, nossas habilidades não nos garantem uma vida tranqüila.

Os Programas de Saúde de Família são um claro exemplo bem sucedido da tentativa de reaproximação entre o atendimento médico e a população.

O HelpSaúde é outro exemplo de caminho para esta maior aproximação entre a população e os profissionais de saúde como um todo.

Entendo a profissão médica como uma vocação sim. Mas, nunca como um sacerdócio. Somos cidadãos como todos os demais e pretendemos, de fato, devemos participar e construir laços sociais e econômicos como todos os demais profissionais.

Então, o que podemos fazer para melhorar as condições de vida dos profissionais e dos pacientes?

A resposta é o DIÁLOGO.

Não há em verdade, nenhuma solução pronta neste momento para as dificuldades que se impõe. Não há um só culpado ou uma única vítima.

Há sim a necessidade de aproximação entre a população e a comunidade médica.

Então, mais do que exaltar a satisfação pessoal que tenho em contribuir para que os indivíduos que atendo tenham mais saúde e qualidade de vida, espero que o dia de hoje e esta semana possam sensibilizar a todos para a necessidade de se priorizar a saúde como um bem intransferível e que se desenvolva maior respeito e cuidado com todos os profissionais que atuam nessa área, não apenas os médicos.

VAMOS CONVERSAR MAIS.

VAMOS TER MAIOR EMPATIA UNS COM OS OUTROS. Que significa tentarmos nos colocar no lugar do outro.

SAÚDE!

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