segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O que é Hipnoterapia Ericksonia?

Você alguma vez na vida estava andando no meio da multidão em direção ao seu trabalho e não se deu conta de como chegou ao local, pois se distraiu completamente no trajeto? Já aconteceu de estar no meio de pessoas numa conversa alegre e descontraída e se desligar do assunto por instantes como se tivesse em outro lugar ou não fazendo parte daquele grupo? Ao dirigir um carro já teve a sensação de não lembrar por instantes como chegou ao local para onde queria chegar? Tem momentos de dispersão quando assiste uma aula interessante? Houve momentos em que estava desempenhando uma atividade interessante e não percebeu que alguém falou com você? Pois é, a maioria das pessoas já experimentou em algum momento de sua vida um transe leve sem que tivesse a percepção de que isto estava ocorrendo no momento. O transe leve nada mais é do que um estado hipnótico.

A hipnose é um estado alterado da consciência ou percepção que está entre a vigília e o sono. Toda hipnose é uma auto-hipnose. Podemos dizer que os fenômenos hipnóticos ocorrem na nossa vida diária: nos rituais; nas danças; expressões verbais. Quase todas as pessoas já tiveram alguma experiência com a hipnose ao longo de sua vida quando sua mente se elevou a um estado de consciência alterado. Quando estamos em estado de transe profundo nosso corpo relaxa e um neurotransmissor chamado de endorfina, produz uma descarga elétrica no cérebro que ativa o neurotransmissor serotonina que tem a função de nos acalmar e nos dar uma sensação de prazer. Mas, para que seja possibilitada a abertura para aceitação de novas idéias, informações e um processo de transformação psíquica, o transe deve ser guiado por um profissional experiente, que faz sugestões para provocar uma maior absorção da mente consciente e dos fenômenos hipnóticos que possibilitam um acesso mais rápido à mente inconsciente do paciente.

O conhecimento sobre os fenômenos hipnóticos vem de longa data na história da humanidade. Os antigos sacerdotes egipícios do século XXX a.C. induziam as pessoas a um determinado tipo de transe. Os chineses buscavam por meio da hipnose uma aproximação entre os pacientes e seus antepassados. Os gregos aprenderam um tipo especial de sono curador. Franz Mesmer, século XVI, deu início a cientificidade da hipnose utilizando o magnetismo para curar dores e enfermidades, propondo que a cura ocorria em função de uma ab-reação da equilíbrio orgânico. Como muitos outros da época foi considerado charlatão e esta prática foi proibida. Alguns seguidores de Mesmer apoiaram suas idéias defendendo o magnetismo e sustentando que o transe se assemelhava ao sono.

No século XIX a hipnose foi retomada com toda força por James Braid que batizou o termo hipnotismo, ao utilizar a técnica de indução ao transe por meio do olhar fixo a um ponto acima dos olhos da outra pessoa. Ainda neste século a hipnose foi utilizada em cirurgias sem anestesia. Entre os estudiosos do assunto da época houve muitas discordâncias, pois alguns consideravam que o transe era um estado normal e não patológico, outros que só acontecia como estado patológico, alguns que se assemelhava ao sono, e ainda Charcot, um famoso neurologista que estudava na época pacientes histéricos chegou a conclusão que o transe poderia ser dividido em catalepsia, letargia e sonambulismo.

No século XX, Pavlov, médico russo e criador da indução reflexológica, definiu que o transe era um sono incompleto e era causado por sugestões hipnóticas que provocavam um estado de excitação em alguns pontos do córtex cerebral, inibindo algumas partes.

Freud apesar dos estudos sobre a hipnose abandonou-a a partir das descobertas sobre a associação livre, priorizando esta última como forma de tratamento de seus pacientes.

Como relatamos acima, vários foram os estudiosos da hipnose. Na nossa clínica nos limitaremos às técnicas introduzidas por Milton E. Erickson, psiquiatra (1901-1980) que deixou vasto e valioso estudo sobre a hipnose naturalista. Sua história de vida impressiona, pois influenciou bastante seus estudos sobre o assunto.

Erickson contraiu poliomielite no final da adolescência e quase morreu. No leito da cama do hospital num estado febril ouviu o médico dizer à sua mãe que não veria o amanhacer do dia seguinte. Indignou-se, pedindo que seu quarto fosse arrumado de modo que pudesse ver o pôr do sol através de um espelho e com pensamentos positivos disse para si mesmo repetidamente que se visse o nascer do sol, não morreria. Seguiu firme no seu propósito, lutando interiormente contra à sua própria morte ao longo da noite e quando amanheceu não resistiu, entrando em coma profundo só acordando alguns dias depois sem o risco da morte iminente. A partir de sua luta interior e muita vontade de viver entendeu que temos um poder muito grande em nossa mente e somos capazes de superar os obstáculos que surgem ao longo de nossas vidas. Um dos conceitos importantes que ele criou após sua experiência do coma foi o princípio ideodinâmico, reforçando que “uma idéia ou pensamento é um ato em estado nascendi”, apoiando a mesma conceituação de Freud neste sentido. Paralítico, preso a uma cadeira de balanço e com uma vontade enorme de fazer as mesmas tarefas que as outras pessoas Erickson concentrou suas percepções em si mesmo, no movimento da sua cadeira de balanço e surpreendeu-se com o movimento da sua cadeira para frente e para trás mesmo com o corpo paralisado, dando a impressão de que ia para fora da cadeira. Ao repetir esta atividade algumas vezes percebeu que podia mover seu corpo de alguma forma. Obstinado, passou, então, a treinar as mãos, os braços e aprendeu a andar bem devagar, recuperando-se em pouco tempo. A partir de suas experiências e sua motivação interior desenvolveu a hipnose naturalista.
Verdades sobre a hipnoterapia:
Toda a hipnose é autohipnose.

• O profissional será apenas o agente facilitador que irá ajudá-lo a conseguir a sensação agradável que o estado de transe produz e focar no problema do paciente, ajudando-o a melhorar seu estado físico e mental.

Nem todos os casos de doenças psíquicas poderão ser ajudados pela hipnose. Em certos problemas emocionais mais graves, como a psicose e estados “borderline”, a hipnose pode ser inadequada.

• A pessoa fica no controle e não o hipnotizador. Ela poderá sair do estado hipnótico ou não entrar no transe se não desejar.

Hipnose não é igual ao sono. A pessoa não dorme. Quando isto acontece o estado de transe hipnótico não é estabelecido.

• O padrão do eletroencefalograma durante a hipnose é diferente do padrão do mesmo exame durante o sono.

• A hipnose é apenas mais uma boa ferramenta utilizada na psicoterapia, que possibilita ao profissional acessar o inconsciente de uma maneira mais rápida, trazendo alívio, paz, relaxamento ao corpo e à mente da pessoa, possibilitando uma melhora do estado geral do paciente.

• Lembre-se, a regressão é apenas um dos fenômenos da hipnose, podendo ocorrer ou não. Pessoas muito controladoras, racionais têm mais dificuldade em regredir no transe.

• A hipnose não é magia, não é milagrosa. Se não houver uma pré-disposição do paciente, uma confiança no psicoterapeuta, e, principalmente, o desejo de mudar, ela não acontece.

• E, por último, a hipnoterapia conduz o paciente a acessar seus recursos internos para aprender a se conhecer melhor, lidando melhor com seu mundo interno e o mundo exterior.

Em que momentos a hipnoterapia é eficaz para o paciente?

Angústia, Estresse, Transtornos alimentares (obesidade, anorexia, bulimia), Transtornos do Sono, Fobias, Compulsões, Ataques de Pânico, Depressão, Ansiedade, Disfunções Sexuais, Dependência Química (tabagismo, alcoolismo, entre outras), Problemas da fala, Dores Crônicas, Resgate da Autoestima, Fortalecimento do Ego, Melhoras na Concentração da Memória; Doenças
Psicossomáticas (asma, úlcera, gagueira, doenças da pele, problemas intestinais, etc.).

E mais a Hipnoterapia Ericksonia é eficaz porque...

Entenda que só o fato de entrar em transe já traz um alívio para o paciente, porque abaixa seu nível de estresse.

A pessoa aprende que a respiração é um meio muito eficaz para concentrar em si mesma, fazendo uma viagem interior para conhecer seus mecanismos internos e voltar-se para dentro de suas emoções. Deste modo, encontra saídas para a solução de suas dificuldades, utilizando seus recursos naturais e acessando sua mente sábia – seu inconsciente, e modificando gradativamente seu modo de encarar os problemas.

Em nossa clínica utilizamos os conhecimentos da psicoterapia e da hipnoterapia ericksoniana para que o paciente possa acessar seu inconsciente de forma mais rápida e a elaborar seus processos internos o que traz uma melhora mais eficaz para as suas questões mais prementes.

Fonte: Vania Alcantara. CRP: PE 0214665

Psicoterapeuta cadastrada no Help Saúde.


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