terça-feira, 4 de setembro de 2012

O médico e a mídia: o que fazer ao ser entrevistado?

Entramos na segunda década do século XXI e, com ela, o acesso à informação está cada vez mais rápido, seja na internet, na TV, no rádio ou até mesmo em celulares e smartphones. É cada vez mais fácil saber sobre patologias, tratamentos, exames e medicamentos. Para confirmar ou desmistificar esses temas, os médicos têm sido chamados para dar entrevistas e expressar suas opiniões sobre diversos assuntos. Porém, muitos médicos não se sentem preparados para conceder entrevistas. As dúvidas que pairam são: como se portar diante das câmeras? Que habilidades são necessárias para se sair bem em uma entrevista? Vale a pena procurar um assessor de imprensa?
Seis médicos contam como eles têm mostrado desenvoltura nesses momentos. Os profissionais passam conselhos para os demais médicos para quando estes forem entrevistados. Para melhorar o contato com os jornalistas e mostrar o seu trabalho, alguns desses médicos mantêm sites ou blogs. Confira a visão de cada um sobre o assunto:

Psiquiatria
Maria de Fátima Vasconcellos
Presidente da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro (Aperj)
“Ao conceder uma entrevista, o médico deve utilizar Português claro e saber para quem está falando. Se ele está dando entrevista para uma revista médica específica, com fins científicos, pode usar uma linguagem com jargãoe expressões técnicas. Porém, se estiver falando para o grande público, deve-se usar palavras simples e claras para que essas pessoas possam entender. Ao falar em público, o médico deve saber que ele representa uma autoridade, uma referência no assunto. Ele não promove o que não pode ser promovido. Fale sempre sobre o que as evidências médicas garantem. Hoje, o paciente é o agente de sua melhora. Então, é preciso que o paciente saiba sobre doenças e possíveis tratamentos, até para que possa discutir com o seu médico acerca disso. A pessoa também precisa ter facilidade em se comunicar. Cada profissional deve saber os limites de suas possibilidades. Se for o caso, a pessoa deve procurar um curso para falar melhor em público”.

Pediatria
Raul Enrich Melo
Pesquisador da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) “Primeiramente, o profissional, ao falar para o grande público, deve ter a capacidade de sintetizar as ideias para colocá-las de forma clara. Se a entrevista for voltada para o leigo, o profissional deve traduzir os termos e os pensamentos para esse público. O médico deve agregar informações importantes e comprovadas. Já aconteceu de médicos terem falado sobre formas de tratamento e condutas profissionais, sendo depois desmentidos por outros médicos, que afirmavam que aquilo era uma bobagem ou ainda não estava referendado pelo consenso. Quando falamos em congressos, damos uma palestra ou começamos a dar as primeiras entrevistas, caracteriza-se o exercício de falar em público. Há diferenças entre conceder uma entrevista para rádio, televisão ou jornal. Exemplo disso é na TV, onde o tempo em geral é escasso e você pode acabar falando apenas uma frase ou duas. A utilização de serviços de profissionais da Comunicação, como um assessor de imprensa, depende do médico. Se ele escreve um livro ou apresenta um trabalho de grande impacto, é viável contratar um assessor. As dicas desses profissionais são importantes”.

Angiologia
Guilherme Pitta
Presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV)
“Em primeiro lugar, o médico deve entender sobre o assunto da entrevista. Depois, ter tranquilidade. Por fim, entender o que o jornalista deseja saber com determinada pergunta. Então, ele responderá adequadamente o que está sendo proposto, com respostas claras e diretas, que não sejam muito curtas. O médico deve se portar do ponto de vista ético, colocar respostas bem diretas e evitar se envolver em polêmicas, dando pareceres. Quando o médico fala nos programas de TV, deve ter cuidado ao tratar de certos assuntos, como procedimentos novos ou milagrosos, que melhoram muito ou trazem a cura de determinadas doenças. É muito complicado falar em público sobre determinados procedimentos, pois eles precisam ser comprovados cientificamente. Sem dúvida, é de fundamental importância a contratação de um profissional da área. A forma de relacionamento com a mídia melhorou muito no momento em que os médicos começaram a utilizar os serviços dos assessores de imprensa. Temos transmitido muito melhor a nossa mensagem”.

Cardiologia
Isa Bragança
Especialista em Medicina do Esporte e diretora da Clínica Cardiomex, do Rio de Janeiro
“Tento sempre ser natural ao conceder uma entrevista. Quero passar transparência sobre que penso e o que sinto. A naturalidade é importante neste momento, sem utilizar palavras difíceis. Alguns médicos não têm preocupações quando estão na televisão. O que oriento é: não use palavras técnicas, pois você acaba gerando um desinteresse em quem está lhe assistindo. Seja atual e não fale sobre coisas que ainda ocorrerão, e sim sobre assuntos que as pessoas têm interesse em saber. Lembre-se de manter uma postura adequada também. Quando entramos ao vivo, há uma grande diferença. Você sabe que é ao vivo, então bate aquela tensão. Nesse caso, não dá para voltar se você errar; logo, precisa-se de uma atenção redobrada. É importante se preparar. Tento articular melhor as palavras e não fazer tantos gestos. Se você falar em um programa de TV que a cura para tal procedimento é X, quando, na verdade, é com Y, não há como reverter a situação. Você tem que saber tudo sobre o que está falando. A ajuda de um assessor de imprensa é muito boa nesses casos. As dicas dele podem fazer a diferença em uma entrevista”.

Infectologia
Maria de Lourdes Worisch
Coordenadora do Serviço de Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Brasília
“Para conceder uma entrevista, deve-se ter conhecimento, experiência e objetividade. A linguagem não verbal é um outro fator que contribui para o resultado final. No rádio, há uma diferença nesse sentido. A postura deve ser outra, pois a linguagem corporal não aparece e só a nossa voz é ouvida. A equipe que convida para a entrevista tem que ser acolhedora, principalmente a pessoa que fará a entrevista. O importante é o médico se apresentar de forma segura, mostrando objetividade e prestando muita atenção ao conteúdo da pergunta. Não extrapole, não seja prolixo e responda à pergunta que foi feita de uma forma que o leigo entenda, não só os médicos. Somos formadores de opinião e o público vê como verdadeiro tudo aquilo que o médico diz. A busca por profissionais de Comunicação auxilia demais nesses momentos. Com a ajuda de assessores, pode-se evitar, por exemplo, os vícios de linguagem e as repetições das palavras, além do gestual, que deve ser mais contido, em especial na televisão”.

Cirurgia Geral
José Luiz Dantas Mestrinho
Vice-presidente da Regional Centro da Associação Médica Brasileira (AMB)
“Em primeiro lugar, o médico deve conhecer o assunto da entrevista e ser sincero naquilo que está expressando, para transmitir credibilidade. Particularmente não vejo nenhuma diferença em conversar com os diversos tipos de mídias, como rádio, TV ou jornal. Muitas vezes preciso falar sobre certos assuntos pela posição que ocupo na Associação Médica Brasileira. Se não tenho conhecimento, peço que passem a pauta da entrevista para que possa procurar sobre o tema e não comprometer o que estou respondendo. Hoje, não só aquilo que está sendo dito, mas o público em geral tem uma informação segura e, às vezes, até exagerada sobre aquilo que está sendo pautado. A internet favorece toda essa gama de informações. Acho que todo mundo que possui algum tipo de dificuldade de se apresentar pode procurar um profissional de Comunicação. Isso é importante para que o resultado daquilo que está sendo dito seja melhor absorvido”.


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Um comentário:

  1. Com certeza, para falar sobre certos assuntos é necessário um profissional da área capacitado, assim como no caso da quiropraxia.
    Atenciosamente;
    Dr. Fabio Corsini Motta - ABQ:0486
    Instituto Paulista de Quiropraxia - IPQ
    http://www.ipquiropraxia.com.br/quiropraxia.html

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