sexta-feira, 21 de junho de 2013

Como lidar de forma saudável com o fim de um relacionamento?

O término de um relacionamento normalmente não é tranquilo para as partes envolvidas, independente da duração dele. Com ele vêm sentimentos de tristeza e desamparo e até mesmo males físicos, causados pelo estresse da situação. Um coração partido pode fazer com que se pare de comer, ou coma-se demais, que se pare de dormir, etc, afetando a saúde e todas as outras áreas da vida (relação com amigos e família, trabalho). Há um luto a ser processado e uma crise de identidade que envolve mudar do nós de volta para o eu. "O luto é um processo doloroso de separação entre um indivíduo e seu objeto de afeto e idealizado", explica a Dra Andressa Santos, psicóloga de Curitiba.

Já de acordo com a Dra Célia Ribeiro, psicóloga de São Paulo, "investimos neste amor tudo que temos de bom e ruim, parte de nós fica no outro. Quando acontece o fim do relacionamento, ficamos sem a parte que investimos no outro. Daí um sofrimento enorme, pois algo (que é nosso) nos falta."

Um ditado popular diz que o tempo é o melhor remédio para isto e, mesmo que o seja, há maneiras de se acelerar o processo de cura, com medidas que visam retomar o controle sobre sua saúde e bem-estar. A Dra Léa Michaan, psicóloga de São Paulo, ressalta: "cada pessoa reage de forma diferente e o tempo para esquecer, elaborar e se libertar do amor perdido é relativo. Não existe uma resposta exata." Ainda assim, 
psicólogos sugerem algumas estratégias que podem ajudá-lo a lidar melhor com esta situação:


1 – Escreva ou fale sobre o assunto
Por mais que falar ou escrever sobre algo doloroso possa ser difícil, guardar esse tipo de sentimento pode impedir uma recuperação mais rápida. Se permita sentir raiva, tristeza, chorar. Nesse momento a catarse, o ‘botar para fora’, é um grande aliado. De acordo com a Dra Tânia Schwinkel, psicóloga de Minas Gerais, "chorar, se queixar, se lamentar, faz parte do enfrentamento do problema, mas temos que reorganizar a mente, e as nossas vidas diante de tal mudança..."


2 – Cuide do que você come
Dê atenção extra para a alimentação e tente não comer demais ou de menos. Coma alimentos saudáveis, frescos e nutritivos. É claro que você pode se mimar, mas cuidado com os excessos, pois a médio prazo eles podem sair pela culatra e piorar a situação. A Dra Aidê Deconte, psicóloga de Porto Alegre, relata: "Se desafiar para seguir em frente de forma saudável e com boas energias vai proporcionar um bem estar necessário para uma boa qualidade de vida."

3 – Cuide de seu corpo
Faça exercícios, mas cuidado com os excessos! Exercícios aeróbicos liberam endorfinas que ajudam a diminuir os níveis de estresse. Mesmo que deteste exercícios, o simples fato de ir caminhar em algum lugar diferente, já distrai a cabeça dos acontecimentos recentes. É importante não exagerar nos exercícios, pois com o exagero, o corpo pode encarar a atividade como mais estresse e piorar a situação.

4 – Foque em tudo de bom que existe em sua vida
Em momentos dolorosos, é fácil focar no ruim e esquecer todas as outras coisas boas que existem. É fácil achar que ‘está tudo uma droga’. Tente enxergar além dessa nuvem negativa, e focar no que gosta e no que te faz bem. A Dra Fernanda Mion, psicóloga de São Paulo, ressalta: "é grande a importância do amor próprio. Precisamos ter! Nos amar acima de qualquer coisa dará a sensação de que está pronto para deixar essa história no passado, cuidar-se de si no presente e se abrir para construir novas histórias no futuro."

5 – Faça coisas que você ama
Numa situação de término é difícil voltar fazer coisas que você ama, especialmente coisas que você já amava e fazia pré-relacionamento. É importante tentar se forçar para fazê-las. Vá ao cinema, chame seus amigos para tomar um café, faça uma hora de shiatsu, enfim, qualquer coisa que o faça sorrir. O Dr Miler Silva, psicólogo do Rio de Janeiro, diz que os amigos são essenciais neste momento: "Dê mais atenção a seus amigos. Experimente revê-los com maior frequência, você e eles vão adorar esse retorno!"

6 – Faça uma ‘Dieta de Obsessão'
Ficar pensando sempre no(a) ex é uma reação natural a um término. Mas essa obsessão só faz mal a você e a todos a sua volta. Afinal, ninguém quer sair com uma pessoa que só sabe falar do(a) ex por horas e horas. Tente limitar seus períodos de ‘obsessão do(a) ex’, por exemplo: se dê 5 minutos por hora para ficar pensando obsessivamente naquilo, depois se force a parar. Coloque um alarme para tocar, se necessário! Aos poucos, diminua de 5 para 4 minutos, depois 3, e por aí em diante. Para a Dra Paula Karam, psicóloga de São Paulo, "os pensamentos são o grande "carro chefe" e influenciam as emoções de forma direta, portanto, quais pensamentos positivos podem ser colocados acima dos negativos como defesa psíquica? Este é o desafio do processo adaptativo que deve fazer parte do complexo processo de luto."

7 – Retribua
Ter gestos de generosidade e carinho com os outros é uma maneira de se sentir bem com você mesmo e aliviar a tristeza. A retribuição pode ser uma maneira poderosa de se redirecionar o amor que estava antes direcionado ao relacionamento.


Para a Dra Edna Vietta, psicóloga de Ribeirão Preto,"se a pessoa conseguir passar por essas fases de modo saudável poderá chegar à fase de aceitação da perda. Esta se dá quando a pessoa reconhece seus verdadeiros sentimentos, seus valores, buscando forças para manter e preservar sua dignidade e autonomia, Quando estes recursos se tornam insuficientes ou frágeis a pessoa pode entrar em depressão. Nesse ponto a pessoa abandonada já não consegue elaborar a perda sozinha. Quanto isso acontece é hora de buscar ajuda."


Por isso, é importante visitar um psicólogo, pois ele te ouvirá e te ajudará neste momento difícil. Marque um atendimento já!

 

Mais alguns pareceres de especialistas:

"A separação é um processo doloroso que faz parte da vida e do crescimento. Considera-se natural o choro, a raiva, a tristeza, a culpa após o término do relacionamento. O sentimento de tristeza é natural, só temos que ficar atentos para que essa tristeza não se transforme em uma depressão. Já vi muitos casos, como profissional, do paciente entrar num quadro depressivo após o fim da relação. Neste caso é relevante procurar um profissional adequado para superar este problema, considerado patológico. 
Vale ressaltar que o luto é pra ser vivido, entendido e superado. Após vivenciar este luto a pessoa estará pronta para iniciar uma nova relação."
Ana Paula Azevedo de Aviz - Psicóloga - Rio de Janeiro, RJ


"Considerando o grande número de pessoas que procuram um tratamento psicológico em virtude do fim de um relacionamento, percebe-se a constante busca pelo apoio visando minimizar o sofrimento causado pelo término da relação, porém é necessário considerar que diante de situações como esta, cada indivíduo reage de uma maneira.
Apesar de nossa tendência natural de tentar evitar o sofrimento, segundo Freud o luto é um processo natural e necessário para a elaboração das questões decorrentes da separação, e “... quando o trabalho do luto se conclui, o ego fica outra vez livre e desinibido”. Ou seja, não é saudável negar a dor, uma vez que aquilo que não é elaborado, não é “curado”. Em casos em que o processo de luto se estende por longos períodos do tempo, este pode ser considerado patológico.
É comum que as atenções e pensamentos neste momento estejam voltados para a separação e as perdas dela decorrentes, porém nos casos em que o processo de luto ocorre de forma saudável, a tendência é que o foco nas questões relacionadas ao rompimento diminuam, tendendo o individuo a voltar a focar em seu próprio bem-estar. Neste período buscar atividades e interesses que lhe proporcionem prazer, como encontro com amigos e prática de exercícios físicos, por exemplo, pode contribuir de forma positiva."
Michele Giacomitti - Psicóloga - Curitiba, PR


"Por tratar-se de uma perda, o fim de um relacionamento pode trazer sentimentos de vazio, tristeza profunda e até perda de identidade. Além de tudo o que já foi citado na matéria, vale lembrar que quando se está em um relacionamento "é melhor prevenir do que remediar"! Cuide para que sua identidade própria continue existindo, ou seja, evite colocar toda sua felicidade nas mãos do outro. Preserve sua privacidade, mantenha seu próprio círculo de amigos por exemplo, tenha sua profissão. Não se esvazie de si mesmo para se preencher do outro! Assim, se acontecer do relacionamento acabar, a pessoa não se sentirá tão sozinha ou perdida, pois terá a si própria! E isso vale não apenas para relacionamentos "amorosos", mas também entre amigos, colegas de trabalho, familiares (pais e filhos, irmãos, etc), e outros."
Lucy Priviato - Psicóloga - Taubaté, SP


"Cada experiência é uma lição. O fim de um relacionamento não indica que este não "deu certo" mas, ao contrário, ele teve um ciclo. Cada experiência deve ser vivida e compreendida  como algo que constrói quem somos. Certamente, cada história nos transforma e marca nossa existência proporcionando-nos momentos felizes e aprendizado sobre o que não nos satisfaz. Se relacionar não significa depender do outro. Ao término de um relacionamento, muitas pessoas afirmam não conseguir prosseguir suas vidas sem o outro. Isto ocorre porque tem-se a expectativa de que o outra nos complete. As relações, entretanto, devem somar ao que somos e não nos substituir. A dependência afetiva pode prejudicar muito a saúde do indivíduo, visto que nunca alguém poderá (e nem deve) preencher todos os vazios. Se isto ocorrer, é o momento de buscar seu fortalecimento interior para que possa construir e encontrar novas possibilidades a partir de sua própria vida. Cabe ressaltar que não existe receita de felicidade, especialmente para lidar com as questões relativas aos sentimentos. Cada um deve procurar a melhor forma de entrar em contato consigo e com  as suas emoções para superar seus conflitos e lidar com o seu sofrimento. O psicólogo poderá lhe auxiliar, oferecendo suporte, a encontrar esse caminho."
Fabiane Pinto - Psicóloga - Rio de Janeiro, RJ


"O fim de um relacionamento, psicologicamente falando, é relacionado à um luto, uma perda, pois há uma ruptura no cotidiano. O costume faz com que a distância, a falta, mobilize demandas, eventos que fazem com que o indivíduo tenha uma dificuldade de lidar naturalmente, com essa nova constituição de vida. Seguir à diante, sem essa pessoa, a partir de agora na sua vida. Nesse momento, o indivíduo tem que se focar em si próprio, para voltar a se reorganizar, e dar uma nova significação para sua nova vida."   
Karinne Salgado Nacif - Psicóloga - Rio de Janeiro, RJ


"Não sei exatamente se há uma forma de lidar com o fim do relacionamento com o menor sofrimento possível. Uma regra é básica, quem mais sofre é quem ama de verdade. Perder a pessoa amada é quase sempre sofrido, doloroso, angustiante. Nessas horas, talvez, a aproximação dos amigos, dos familiares e  a ajuda profissional por meio da psicoterapia poderá ser de grande valia na superação do trauma, e consequentemente para se buscar um novo sentido para a vida."
Diógenes Cruz - Psicólogo - Recife, PE


"Este tipo de término de relacionamento é diferente da perda (por morte) da pessoa amada, nunca se tira da cabeça que a qualquer momento pode-se reata-lo, mesmo sendo um término agressivo. Quanto mais tempo de duração e intimidade envolvida, mais tempo se leva para superar a dor, o tempo dedicado, emoções, carinhos... A cicatriz nunca some, é ilusão pensar que "nunca mais me lembrarei".
Não sei se seria um luto, é uma dor diferente da dor da morte, um tipo de saudade corrosiva, onde em muitos casos ainda se vê a pessoa "amada". A melhor forma de aliviar esta dor depende de cada pessoa, é muito singular, todas as sugestões são válidas e acredito que qualquer intervenção deve ser feita respeitosamente no intuito de elevar a auto-estima de quem sofre, lembrando sempre que não se sabe o quanto vai durar este fim. Obs.: Não se deve vingar e nem fazer comentários denegrindo a outra pessoa, pois, como disse antes, nunca se sabe o dia de amanhã!
Uma ajuda psicológica sempre será bem vinda, pois é um profissional que escuta e mantém sigilo absoluto, enquanto amigos não tem uma escuta mais apurada."
Tarumedes Duarte - Psicólogo - Ipatinga, MG




Fonte: Huffington Post

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