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A riqueza do conhecimento compartilhado na prática médica moderna


Vamos discorrer sobre termos essenciais para a Gestão do Conhecimento (GC). Derivando definições da área de Informática, podemos afirmar que dado é sequência de símbolos quantificados ou quantificáveis. Portanto, um texto é um dado. De fato, as letras são símbolos quantificados, já que o alfabeto por si só constitui uma base numérica. De forma semelhante, sons e imagens também são dados. A partir do momento em que os dados podem ser organizados de forma lógica e inteligível, podemos chamá-los de informação. Quando a informação pode ser aplicada a qualquer situação em que seja necessária uma tomada de decisão, nós temos o conhecimento. Em outras palavras, conhecimento é a informação útil ou aquela que carrega um propósito.

O conhecimento médico sempre foi uma combinação entre arte e ciência, sendo tradicionalmente relegado a pesquisadores a busca pelos avanços e, aos médicos praticantes, a arte de aplicar o conhecimento e se relacionar com o paciente. Entretanto, em nosso tempo, é possível haver um intercâmbio maior entre a academia e a prática. Dentro da GC, é clássica a distinção entre o conhecimento explícito, que pode ser articulado em uma linguagem formal e transmitido entre indivíduos, e o conhecimento tácito, que corresponde ao conhecimento pessoal incorporado nas experiências dos indivíduos e que são inerentemente intangíveis, como crenças pessoais, perspectivas e valores.

Em 2006, a revista Time elegeu “você” como homem do ano. Ela traz na capa a palavra “you” em uma tela de computador, com o subtítulo: “Sim. Você mesmo. Você controla a Era da Informação. Bem-vindo ao seu mundo”. A razão por esta escolha foi atribuída à era em que a internet possibilita a explosão do crescimento do conhecimento colaborativo, em que cada pessoa pode utilizar esta ferramenta para expressar suas ideias e se comunicar.

A internet como plataforma denominada de web 2.0 coloca um poder incrível na mão de todos. Imagine aquele médico que aprendeu Medicina na prática, com exercício constante, e aprendeu maneiras inteligentes de se comunicar e formas diferentes de realizar uma técnica. Aí, ele guarda para si – isso é um conhecimento tácito que morre junto com ele. Se ele comenta com outro colega de plantão, há uma socialização restrita àquele ambiente. Há um tesouro de conhecimento que é produzido diariamente pelos médicos e por seus pacientes, algo de valor tão grande quanto àqueles produzidos tradicionalmente nos centros universitários.

Vejamos exemplo de transformação de conhecimento tácito em explícito. Imagine o cenário hipotético em que um cirurgião de hospital recebe feridos por arma de fogo em grande número e não dispõe de alta tecnologia. Ele sabe que a melhor maneira de retirar uma bala é utilizando a combinação X de movimentos e passos. Usando seu celular, ele filma e posta no Youtube à noite e descreve sucintamente este e outros conhecimentos adquiridos nos corredores do hospital. No dia seguinte, médicos de todo o planeta passam a ter ciência desta informação. Um deles, professor universitário americano, resolve fazer um estudo sobre a técnica e, com a participação do especialista e professores brasileiros, a publica em renomado periódico. A técnica passa, então, a ser utilizada em diversos hospitais do mundo.

Em outras palavras, o conhecimento gerado todos os dias em consultórios, clínicas, corredores e enfermarias de hospitais tem potencial de ser compartilhado sem fronteiras. A Gestão do Conhecimento encurta a distância entre o que a Medicina sabe (conhecimento científico) e o que os médicos fazem na prática. E você, o que está esperando para postar suas observações valiosas em um blog ou rede social? Lembre-se de que seu conhecimento prático é valioso e não está nos livros.


Por Fábio Freire


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Comentários

  1. O conhecimento é uma fonte inesgotável de riqueza!!

    Atenciosamente;
    Dr. Fabio Corsini Motta - ABQ:0486
    Instituto Paulista de Quiropraxia - IPQ

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