Pular para o conteúdo principal

Como os alemães tratam o bruxismo?

Ok, você leu o título da postagem e já pensou que eles tratam o bruxismo com cerveja, pode assumir!

Mas a postagem de hoje é sobre um artigo que li ontem.

Uma pesquisa recente publicada no Journal of Prosthetic Dentistry teve como objetivo verificar a conduta de dentistas especialistas ou não com relação ao tratamento de bruxismo.

Para tanto os autores enviaram um questionário que englobava vários aspectos como número de pacientes atendidos, se os dentistas encaminhavam ou não os casos, se tratavam e se o fizessem como era este tratamento. Infelizmente o índice de resposta deste tipo de pesquisa se mostra baixo. Cerca de 10% dos dentistas que receberam o questionário responderam a pesquisa.

A motivação para esta pesquisa partiu, claro, da originalidade do tema, mas também pelo desenvolvimento dos estudos com relação ao bruxismo, o que, ao longo dos últimos anos, acrescentaram conhecimento com relação a uma patofisiologia mais central do que periférica (e isso já falei aqui no blog). E será que isso transformou a prática de alguma forma? E será que há diferença entre dentistas especialistas ou não?

Os resultados mostraram que (números aproximados) cerca de 15% dos pacientes que procuram tratamento recebem diagnóstico de bruxismo. Talvez pelo viés da formação os especialistas, na sua maioria ortodontistas, tenham citado a terapia ortodôntica como forma de tratamento mais frequentemente do que os generalistas (7,28% vs 0,65%). Mas em ambos os grupos a placa de mordida reinou como a terapia mais comumente aplicada a estes pacientes, seguida de técnicas de relaxamento, equilíbrio oclusal, fisioterapia e reconstrução oclusal. Em um ano os dentistas generalistas confeccionaram uma média de 27.5 placas enquanto os especialistas, 19.8 com a recomendação de uso noturno realizada pelos dois grupos.

Mas o que chamou minha atenção neste trabalho foi sobre a relação oclusão e bruxismo, que escrevi outro dia aqui. A seguinte afirmação foi colocada: “Interferências oclusais causam bruxismo”. Os dentistas deveriam concordar ou não com a frase.

Dos especialistas 85% não concordaram com a frase. Dos generalistas, 47,7%. Ainda, com incerteza, 28,6% dos generalistas adotaram uma postura neutra em relação à frase.

Os autores então compararam com estudos realizados há 20 anos nos EUA e verificaram que a rejeita à frase pelos dentistas generalistas cresceu 15%.

É, parece que algo está mudando...

Fonte: Juliana Stuginski Barbosa. Dentista cadastrada no Help Saúde.

Temas relacionados no Help Saúde: Odontologia

Quer fazer parte do nosso blog? Envie um artigo para artigos@helpsaude.com


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A riqueza do conhecimento compartilhado na prática médica moderna

Vamos discorrer sobre termos essenciais para a Gestão do Conhecimento (GC). Derivando definições da área de Informática, podemos afirmar que dado é sequência de símbolos quantificados ou quantificáveis. Portanto, um texto é um dado. De fato, as letras são símbolos quantificados, já que o alfabeto por si só constitui uma base numérica. De forma semelhante, sons e imagens também são dados. A partir do momento em que os dados podem ser organizados de forma lógica e inteligível, podemos chamá-los de informação. Quando a informação pode ser aplicada a qualquer situação em que seja necessária uma tomada de decisão, nós temos o conhecimento. Em outras palavras, conhecimento é a informação útil ou aquela que carrega um propósito. O conhecimento médico sempre foi uma combinação entre arte e ciência, sendo tradicionalmente relegado a pesquisadores a busca pelos avanços e, aos médicos praticantes, a arte de aplicar o conhecimento e se relacionar com o paciente. Entretanto, em nosso tempo,

Mitos e verdades sobre a friagem e o golpe de ar

Leva o casaco! O inverno está chegando, e com ele alergias, gripes e outras doenças respiratórias. Essa estação do ano também trás a famigerada friagem, e as mães e avós ficam em polvorosa recomendando casaquinhos e agasalhos. Mas será que o tal golpe de ar, que ocorre quando saímos de um banho quente, quando abrimos a geladeira, quando bate um vento, e em vários outros momentos, realmente faz mal para saúde? É inegável que muitas pessoas associam friagem e golpes de ar à maior incidência de gripes. Afinal, no inverno, gripes e resfriados são sim mais comuns.  Diversos estudos já foram feitos, desde 1950, para avaliar essa correlação e nenhum desses jamais comprovou essa teoria. Eles indicam que a friagem e golpes de ar não têm influência sobre o desenvolvimento de tais doenças, que isso é uma crendice. Na verdade, gripes, resfriados e infecções respiratórias são doenças infecciosas, provocadas por micróbios que se alojam no aparelho respiratório e causam tosses, espirros, cor

Malformações Vasculares do Cérebro

1. Introdução As malformações vasculares cerebrais são anomalias na formação dos vasos sanguíneos do cérebro e que podem levar a acidentes vasculares ou epilepsia.  2. Classificação em tipos Os diversos tipos de malformações vasculares cerebrais apresentam diferentes quadros clinicos, ou seja, sintomas e sinais de sua existência, assim como características típicas em exames de imagens, como ressonância magnética cerebral. Devem, portanto, ser analisadas separadamente. A classificação mais usada na literature médica divide as malformações vasculares cerebrais em quatro tipos: • Malformações artério-venosas ou mais conhecidas como MAV. • As malformações cavernosas cerebrais ou cavernomas (ou, também chamados angiomas cavernosos). • As malformações venosas (ou angiomas venosos). • As telangiectasias. 2.1. Malformações artériovenosas cerebrais (MAVs) Embora não seja o tipo mais comum de malformação vascular do cérebro, pode manifestar-se em pacientes jovens, sendo causa